Assembleia debate fortalecimento dos Correios e defesa do serviço público essencial à população
Em sessão especial realizada nesta segunda-feira, 13, trabalhadores e representantes nacionais dos Correios debateram o fortalecimento da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), destacando seu papel histórico, social e estratégico para a integração nacional. Proposta pelo deputado Ronaldo Medeiros (PT), a sessão reuniu representantes da categoria e dirigentes sindicais para alertar sobre os riscos da privatização e reafirmar a importância da empresa pública, especialmente para as populações mais vulneráveis e para os municípios remotos. O deputado propositor abriu os trabalhos defendendo os Correios como património do Brasil. "É na vida que todo brasileiro é brasileiro, de uma forma ou de outra. E os Correios hoje atendem principalmente as pessoas que menos têm. Uma cidade que não tem uma agência dos Correios sofre", afirmou Ronaldo Medeiros.
O parlamentar criticou o discurso que aponta déficits na empresa e relacionou essa narrativa a um movimento mais amplo de desmonte do serviço público. "O que a gente vê hoje é a ECT sendo muito atacado. Porque tem déficit, porque o serviço não está bom. A gente sabe que quando querem privatizar alguma coisa, deixam de lado, deixam funcionando ruim, para a opinião pública ficar contra a empresa e depois se privatiza", analisou. Ele destacou a capilaridade dos Correios como diferencial insubstituível. "A área privada não vai querer ir para uma cidadezinha do interior que não dê lucro, só vai querer pegar o filé. O Correio está presente em todos os locais. Em um ele tem lucro, no outro não tem tanto lucro, mas um compensa o outro", explicou Ronaldo Medeiros, lembrando serviços essenciais como a entrega de vacinas para cidades pequenas, livros didáticos e provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). "Imagina a vacina para uma cidade pequena: a empresa privada não vai querer levar. Vai querer levar somente para as grandes cidades", completou o deputado.
O secretário geral dos Correios em Alagoas, Altames Holanda, trouxe um relato pessoal sobre a importância da empresa para os pequenos municípios. "Eu nasci no interior do estado. Eu sei a importância que uma agência dos Correios tem para aquele município. Eu sei a importância que cada agência dos Correios tem para os 102 municípios de Alagoas. Assim como eu sei qual a importância que tem cada agência dos Correios nos mais de 5.500 municípios que o país tem", disse.
Ele denunciou o clima de insegurança vivido pelos trabalhadores. "O trabalhador dos Correios não tem sossego, porque são ataques, ameaças. Nunca em minha carreira vi tantos ataques, ameaça, pressão, medo de privatização. Nós vivemos na defensiva porque sofremos ataços cotidianamente dentro dessa empresa", afirmou Altames Holanda, relembrando o desespero da população em pequenos municípios diante da possibilidade de fechamento das agências.
O secretário geral nacional da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect), Emerson Marinho, reforçou o conceito de que a empresa pública não deve ser avaliada apenas pelo lucro financeiro, mas pelo capital social que gera. "Se fala muito na questão do prejuízo. A empresa pública não gera prejuízo, ela gera capital social. A empresa pública foi feita para servir a população brasileira", afirmou.
Ele citou tragédias climáticas recentes no Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Bahia para exemplificar o papel insubstituível dos Correios. "A única ponta do Estado nas áreas mais remotas foram os Correios. Nenhuma empresa do ramo privado vai querer ir lá no Amapá, vai querer ir lá em Laranjal do Jari fazer esse serviço que nós fazemos", destacou Emerson Marinho, lembrando ainda que o governo federal retirou dividendos da empresa entre 2014 e 2022 e que a taxação das chamadas "compras internacionais" prejudicou a receita. "Essa crise não foi gerada pelos trabalhadores, foi gerada por ações do próprio Governo Federal", concluiu.
O presidente do Sindicato dos Correios de Alagoas, Alison Guerreiro, enfatizou que a empresa vai muito além da entrega de encomendas. "Muitas vezes a gente vê um debate vazio, onde se coloca que os Correios são apenas uma empresa de logística, que só faz entrega de encomendas. Na realidade, a gente sabe que é muito além disso", disse. Ele citou a atuação da empresa durante a crise do INSS, quando os Correios garantiram o pagamento dos aposentados em todo o país.
"Os aposentados precisaram receber o seu dinheiro por conta daquilo que aconteceu no INSS, e só os Correios conseguiram atender a todos os aposentados do Brasil na sua cidade", relembrou Alison Guerreiro. Ele alertou ainda para os riscos da reestruturação em curso. "Essa reestruturação não está sendo debatida com os trabalhadores e pode, sim, vir a fechar agências no interior. Fechando essas agências, infelizmente a população vai ficar sem atendimento pelos Correios", concluiu.