Comissão de Saúde questiona Governo sobre ações de combate à pandemia

por Comunicação/ALE publicado 20/04/2021 18h58, última modificação 20/04/2021 18h58

A Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, presidida pelo deputado Léo Loureiro (PP), reuniu-se na tarde desta terça-feira, 20, com o secretário de Saúde do Estado (Sesau), Alexandre Ayres, para debater mais profundamente sobre as ações do Executivo no combate à Covid-19. O encontro foi motivado pelos questionamentos apresentados pelos parlamentares durante a audiência de prestação de contas do SUS, realizada na manhã de ontem.

O deputado Léo Loureiro abriu a reunião esclarecendo que em momentos de turbulência como os vividos atualmente, é importante que os atores do enfrentamento à pandemia estejam mais próximos da sociedade, repassando informações. “Por isso o convite ao secretário. Dúvidas sanadas, sociedade civil mais tranquila”, falou.

Em seu pronunciamento, a deputada Jó Pereira elencou uma série de indagações, começando por denúncias recebidas sobre a falta de medicamentos contra a Convid nas farmácias de Alagoas. A parlamentar prosseguiu solicitando à Secretaria que replique nas demais unidades de saúde do Estado o programa de acolhimento de famílias presente no Hospital Metropolitano. “Tenho relatos de familiares com pacientes internos, em tratamento contra o vírus, principalmente fora da capital, que não têm acesso à informação, a um acolhimento adequado”.  A parlamentar ainda cobrou o planejamento do governo para o período pós-pandêmico e uma atenção especial à demanda reprimida na saúde. “Todas as demais doenças estão sendo negligenciadas em razão da Covid, ficaram em segundo plano”, alertou Jó Pereira, ressaltando ainda a necessidade de uma investigação epidemiológica sobre o falecimento de pessoas por causas indefinidas.

Para o deputado Ronaldo Medeiros, o Executivo estadual vem atuando positivamente diante do cenário pandêmico, não deixando faltar leitos, oxigênio e kits de intubação nos hospitais.          

Contrariamente, o deputado Davi Maia repercutiu informações da Fiocruz, dando conta do alto índice de mortes por intubação em Alagoas. Segundo o parlamentar, o Estado lidera o ranking nacional, com 97 pacientes mortos para cada 100 intubados. Maia aproveitou para cobrar, mais uma vez, providências do governo quanto ao calote de mais de seis milhões na compra de respiradores por meio do Consórcio Nordeste. Por fim, o deputado relatou denúncias que apontam para servidores comissionados na Sesau que também recebem da pasta por serviços prestados, configurando o acúmulo de funções.

O secretário Alexandre Ayres ouviu as reflexões dos parlamentares e iniciou destacando que Alagoas é o 3º Estado do País com menor número de óbitos para cada grupo de 100 mil habitantes. Ele explicou que a investigação das causas de mortes não identificadas é de responsabilidade das secretarias municipais de Saúde. “Ainda assim, comprometo-me a dialogar com os municípios”, disse. O secretário esclareceu também que os medicamentos e kits de intubação estão 100% garantidos pelo Estado, não havendo qualquer problema de abastecimento. “Em dezembro, quando vislumbramos possível desabastecimento, solicitamos a antecipação das entregas dos medicamentos contratados aos fornecedores. Alagoas tem estoque para 60 dias”.

Ayres ainda garantiu que tem dialogado com a gestão de alguns hospitais do interior e da capital, a fim de levar ações de humanização para outras unidades, não apenas para aquelas onde há o tratamento da Covid, conforme solicitou a deputada Jó Pereira. No quesito demanda reprimida, o secretário disse que as consultas e exames eletivos continuam acontecendo na rede hospitalar do Estado, como cirurgias de reconstrução mamária, ortopédicas, entre outras. “Só em Maceió, existem mais de 200 mil pessoas aguardando por exames ou consultas. Isso não é responsabilidade da atual gestão ou da anterior, mas decorrente das dificuldades porque o Brasil passa em relação à pandemia”, justificou.

Em resposta às indagações do deputado Davi Maia, o secretário de Saúde disse que os números da Fiocruz não batem e que, em reunião com gestores da saúde, estes apresentaram estudos mostrando 67% de mortes em pacientes nas UTIs, índice abaixo da média nacional, que é de 81%. Ayres também rebateu a informação de que havia servidores acumulando cargos no órgão e explicou que o governo acionou judicialmente o Consórcio Nordeste, para que responda civil, penal e administrativamente pela operação realizada na compra dos respiradores.

Estiveram presentes à reunião as deputadas Ângela Garrote (Progressistas) e Jó Pereira (MDB), membros da Comissão, além dos deputados Davi Maia (Democratas), Flávia Cavalcante (PRTB), Cabo Bebeto (PTC), Ronaldo Medeiros (MDB) e o líder governista, Silvio Camelo (PV). Também acompanharam o encontro o reitor da Uncisal, Henrique Costa, e técnicos da Sesau.

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