Assembleia concede Títulos de Cidadão Honorário a Renata Magalhães e Ricardo de Carvalho Lima

por Comunicação/ALE publicado 17/04/2026 13h21, última modificação 17/04/2026 13h21

Em sessão solene realizada na sexta-feira, 17, a Assembleia Legislativa concedeu os Títulos de Cidadão Honorário do Estado à presidente da Academia Brasileira de Cinema, Renata Maria de Almeida Magalhães, e ao cardiologista Ricardo de Carvalho Lima, em reconhecimento aos relevantes serviços prestados a Alagoas. Proposta pelo deputado Doutor Wanderley (MDB), a honraria foi aprovada por unanimidade pelos parlamentares e celebrou a trajetória de duas personalidades que, embora não tenham nascido em solo alagoano, construíram laços profundos com o Estado nas áreas da Cultura e da Saúde.

O deputado propositor abriu a solenidade destacando que a homenagem legitimava algo que já existia na prática. “Para mim, é uma alegria muito grande, porque essas duas pessoas, a Renata e o Ricardo, já são alagoanas, de fato, pela ligação que têm e pelos serviços prestados ao Estado. Então, hoje nós estamos legitimando, agora de direito, o que já era de fato”, afirmou Doutor Wanderley.

O parlamentar, que também é cardiologista, fez uma conexão entre as áreas de atuação dos dois homenageados. “Um na área da saúde e o outro na área da cultura, mas essas duas áreas se somam, porque é para cuidar do ser humano na sua integralidade, no corpo e na alma. Não adianta a pessoa estar com o coração bem se não estiver em paz consigo mesma, se não tiver um conteúdo humano, que é melhor adquirido por meio da arte”, disse, finalizando sua saudação.

Ao receber a honraria, Renata Magalhães, viúva do cineasta alagoano Cacá Diegues, falecido em fevereiro do ano passado, emocionou o plenário ao declarar seu amor por Alagoas. “É uma honra para mim me tornar alagoana, mas o sentimento mesmo é de uma felicidade imensa. Eu amo esse lugar, eu amo Alagoas, eu amo vir para cá, eu amo a cultura daqui, eu amo a literatura, eu amo as roupas, eu amo o mar, eu amo o sertão, eu amo tudo”, enumerou, acrescentando que se sente acolhida e feliz com o carinho recíproco.

Ela relembrou sua primeira visita ao Estado, no final de 1982, quando passou o Natal e o Ano Novo em Alagoas ao lado do marido. “Eu me encantei na mesma hora, tomei meu primeiro banho de mar e pensei: meu Deus, como uma pessoa vai para as Bahamas e não conhece o Nordeste brasileiro? E nunca mais deixei de vir”, contou, destacando que Alagoas também esteve presente nos filmes de Cacá Diegues, mesmo quando as obras não eram rodadas no Estado. O cineasta foi responsável pelo filme Deus é Brasileiro (2003), gravado principalmente em Alagoas, incluindo a foz do Rio São Francisco, em Piaçabuçu, a cidade histórica de Penedo e paisagens do sertão. A continuação, Deus Ainda é Brasileiro, prevista para 2026 e obra póstuma de Diegues, também foi rodada inteiramente em Alagoas.

Também homenageado, o cardiologista Ricardo de Carvalho Lima, pioneiro na implantação da cirurgia cardiovascular no Nordeste e um dos responsáveis pelos transplantes cardíacos na região, no âmbito do Programa Nordeste Transplantes, que abrange Alagoas e Sergipe, expressou sua gratidão. “Eu conheço bem Alagoas. Conheço de verdade”, afirmou o médico, que fez uma apresentação biográfica e profissional. Ele também reforçou o sentimento de pertencimento construído ao longo de décadas de convivência com o Estado e sua gente, consolidando uma trajetória que agora recebe o reconhecimento do Poder Legislativo alagoano.

A solenidade foi realizada no plenário da Casa, reunindo autoridades, familiares e amigos dos homenageados. A composição da Mesa de Honra contou com as presenças do professor doutor Fernando Lucchese, presidente da Academia Brasileira de Cirurgia Cardiovascular; Alberto Rostand Landverly, presidente da Academia Alagoana de Letras; a dra. Ana Maria, esposa de Ricardo de Carvalho Lima; o professor José Teles de Mendonça, representando a Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular; e Claufe Rodrigues, jornalista e diretor alagoano.

Ao final da sessão, Calunga, clássico de Jorge de Lima que ganhou adaptação para o cinema com direção de Claufe Rodrigues, teve lançamento oficial em Maceió neste 17 de abril, no plenário da Assembleia Legislativa de Alagoas. Baseado no livro lançado originalmente em 1935, o longa conta a história de Lula Bernardo, personagem que deverá ser interpretado por Marcos Palmeira, e está em fase de captação de recursos.